O projeto

Em primeiro lugar, obrigado por entrar na página de financiamento coletivo do Cinema em Cena, que completará, em 2023, 26 anos de existência. Cada um de vocês que ao longo dos anos entrou no site, leu uma crítica, compartilhou uma dica de streaming ou assistiu a um videocast acabou se tornando responsável por sua longevidade.

Esta longevidade também diz respeito à minha própria carreira (olá, é o Pablo, tudo bem?) – e mal posso acreditar que tenho conseguido viver (e criar dois filhos!) apenas do Cinema nestes 29 anos de atuação como crítico, seja escrevendo ou dando aulas sobre a Sétima Arte. Não posso dizer que foi ou é fácil; em alguns momentos, o site esteve perto, muito perto do fim. Quem sempre veio em nosso auxílio? Você. E não há fonte de estímulo e inspiração maior do que o carinho e a dedicação de quem nos prestigia com cliques e – igualmente importante – afeto.

Um período difícil e o reencontro com a escrita

Nos últimos anos, porém, um profundo processo de paralisia tomou conta de mim: a depressão, sobre a qual escrevo há muito tempo por jamais querer tratá-la como tabu, se aliou ao estado do país e à toxicidade gerada por um ódio político que me levou a receber insultos e ameaças de morte constantes. Mantive a escrita como pude, mas minha produtividade despencou. Para compensar isso, trouxe alguns colaboradores para o site durante este período (todos remunerados; não peço trabalho de graça para ninguém), mas meu envolvimento pessoal se limitou a poucos textos.

Em 2023, isto mudou. Venho produzindo textos com frequência, reiniciei meu blog pessoal e voltei a gravar vídeos. No entanto, não quis alardear nada disso enquanto não tivesse certeza de ter realmente recuperado a antiga energia e a saúde mental necessárias para seguir neste caminho – mas agora, depois de três meses de produção contínua (e de ter publicado um texto novo todos os dias em meu blog durante o último mês), sinto-me seguro para voltar a falar com vocês.

A cobertura de festivais

Há muitos anos venho cobrindo diversos festivais de forma independente, arcando com todos os custos: passagens, hospedagem, alimentação e outros gastos eventuais. Quem acompanha estas coberturas sabe que me esforço para falar não apenas dos filmes, mas dos bastidores do festival, curiosidades sobre os participantes, relatos das entrevistas coletivas e até mesmo detalhes interessantes sobre a cidade que o hospeda. Escrevo críticas, gravo stories e faço lives (no último Festival de Berlim, fiz três ou quatro).

No entanto, isto está se tornando financeiramente inviável. Em um post recente no meu blog, descrevi todos os gastos para ir ao festival de Cannes, que ultrapassam 25 mil reais.

E eu adoraria poder apresentar mais eventos para vocês: Veneza, Tóquio, Telluride, Toronto, Tribeca e, claro, também os nacionais.

Pablo Villaça

Crítico de cinema desde 1994 e diretor do Cinema em Cena (o qual criou em 1997).